A Psicologia e a Psicanálise separam-se
nitidamente
Freud explica que a questão não está em se
desejar uma direção moral para a Educação, mas em se desejar ao mesmo tempo
ouvir a manifestação livre do inconsciente e produzir seu represamento moral.
Ou uma coisa, ou outra, ou seja, não podemos querer duas coisas ao mesmo tempo,
ou é um ou é o outro.
Anna Freud buscou transmitir aos educadores
uma noção daquilo que seria, para Freud, o desenvolvimento da criança. Pode-
se, atualmente, fazer o mesmo, tendo-se em mente todas as ressalvas feitas e
centralizando a discussão em aspectos menos considerados até agora. Ao invés de
abordar, como foi feito até hoje, o desenvolvimento da criança em termos de
fases psicossexuais (oral, anal etc.), pode-se adotar um outro caminho. O que
poderia, para Freud, o fenômeno da aprendizagem? Em outras palavras, o que, no
entender de Freud, habilita uma criança para o mundo do conhecimento? E,
finalmente, em que circunstâncias essa busca do conhecimento se torna possível?
A transferência na relação
professor-aluno
Freud mencionou a
palavra transferência, pela primeira vez, em A interpretação dos sonhos, livro
de 1900. Ali, ele escreveu que alguns acontecimentos do dia, restos diurnos,
eram transferidos para o sonho e modificados pelo trabalho do próprio sonho.
Via-se o rosto de uma pessoa durante o dia e, à noite, no sonho, aquele rosto
aparecia modificado; por exemplo, de barba. Ou envelhecido. Ou com outro nome.
O sonho “trabalhava" aquele resto diurno para ele transferido. Mais tarde,
Freud começou a notar que a figura do analista também funcionava como um resto
diurno, sobre o qual o paciente “trabalhava" transferindo para ele imagens
que se relacionavam com antigas vivências do paciente com outras pessoas.
Assim, por exemplo, um determinado paciente, a partir de um dado momento da
análise, relacionava-se com Freud como se ele fosse seu pai: com medo de sua
autoridade. Embora o próprio Freud não se conduzisse de modo autoritário com
aquele.
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